A biotecnológica Azores Life Science lança no mercado suplemento com propriedades anti-inflamatórias e dois cremes reparadores que aumentam a produção de colagénio no rosto, com financiamento do Plano de Recuperação e Resliência (PRR).
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Segundo avança o jornal ECO, a empresa de biotecnologia Azores Life Science, que anda nas bocas do mundo pela sua marca de cosmética de luxo Ignae, vai lançar três novos produtos que, garante, “irão revolucionar o mercado”. É com macroalgas e microalgas dos Açores que o fundador Miguel Pombo quer partir à conquista de Hong Kong, onde abrirá uma sucursal.
É nos laboratórios da Universidade dos Açores que encontramos o professor Duarte Toubarro que nos vai descrevendo como a sua equipa começou a estudar as macro e microalgas dos Açores, fruto da parceria com a empresa de Miguel Pombo. E com o objetivo de criar produtos de elevado valor acrescentado para o mercado da cosmética e saúde a partir das algas, tendo em conta que estas têm propriedades antioxidantes, e vários componentes que ajudam a pele a ficar mais elástica, a reduzir as rugas ou a aumentar a hidratação.
Para levar a investigação a bom porto, a equipa contou com uma dotação de 410 mil euros de financiamento do PRR no âmbito da agenda mobilizadora do projeto Pacto da Bioeconomia Azul. Passados mais de dois anos desde o início do projeto, os resultados estão à vista e são “bastante” promissores, ao ponto de Duarte Toubarro e Miguel Pombo acreditarem que deverão “revolucionar o mercado”.
As novidades chegam ainda este ano ao mercado. Para maio está prevista a venda de dois “cremes reparadores que aumentam a produção de colagénio no rosto, com propriedades antirrugas e antioxidantes”. E que permitem aumentar a elasticidade da pele e protegê-la dos raios ultravioletas, revela Miguel Pombo ao ECO/Local Online enquanto o professor Duarte Toubarro nos mostra um teste em células no microscópio.
Já um suplemento com propriedades anti-inflamatórias, indicado para pessoas com síndrome de intestino irritável, chegará ao mercado até ao final deste ano pelas mãos da Azores Life Science. Entretanto, a equipa da Universidade dos Açores já testou uma formulação em gel deste ativo na mosca da fruta e em breve serão realizados testes pré-clínicos em humanos.
Todos os três produtos são feitos a partir de macroalgas e microalgas do mar açoriano, detalha Miguel Pombo que tem figuras conhecidas, como as modelos Kim Kardashian e Bella Hadid, a usarem os cremes antiage e antirrugas, e os hidratantes regeneradores da pele da sua marca Ignae que em 2017 com um investimento inicial de 150 mil euros.
Miguel Pombo quis potenciar os recursos naturais dos Açores de forma sustentável e levá-los além-fronteiras nos cremes que lançou. Os cremes, óleos e máscaras que desenvolveu têm a particularidade de utilizarem a água termal e o óleo prensado a frio das sementes camélias japónicas – ambos do Hotel e Parque Terra Nostra, no Vale das Furnas, em São Miguel, propriedade do grupo Grupo Bensaúde, um dos 18 acionistas da Azores Life Science através da holding Bensaúde Participações. Acrescem ainda a criptoméria japónica ou a ficocianina.
Presente em hotéis de luxo, como o Four Seasons Hotel Ritz, em Lisboa, e Terra Nostra Garden Hotel, em São Miguel, a marca Ignae está a dar cartas nos Estados Unidos – principal mercado –, no Japão, Canadá, Médio Oriente, Reino Unido ou na Alemanha.
Agora, as novas descobertas dos investigadores da Universidade dos Açores também deverão colocar a empresa no mapa internacional, contribuindo para a capacitação do tecido tecnológico da ilha e o posicionamento de um cluster na área da biotecnologia.
Depois de conquistar novos avanços com a investigação universitária, o empresário açoriano não vai ficar por aqui. “Vamos começar a fornecer ingredientes da Azores Life Science para marcas multinacionais e internacionais na área da cosmética, além de apostarmos no nosso pipeline de biotecnologia para a área da saúde e da nutrição”, desvenda.
Miguel Pombo pretende criar “o maior valor possível, não só para os produtos finais, mas também para os extratos que poderão ser comprados por outras entidades” para valorizar o ecossistema dos produtos dos Açores, numa aposta na sustentabilidade e dinamização da economia da região.
A Azores Life Science lança-se agora em novos voos, com a abertura de uma filial da empresa em Hong Kong, depois de ter conquistado o terceiro lugar num concurso mundial de aceleração de startups de biotecnologia do Parque de Ciência de Hong Kong (Hong Kong Science and Technology Park).
Para já, Miguel Pombo conta o prémio de cerca de 600 mil euros de financiamento para, durante dois anos, desenvolver novos fármacos em parceria com empresas e universidades chinesas, além da Universidade dos Açores. O empresário está confiante que, numa fase posterior, deverá captar mais investimento com novas rondas de financiamento.
Para Hong-Kong o empresário leva na mala todo o know-how que entretanto foi adquirindo ao longo dos anos na área da biotecnologia, além dos recursos endógenos dos Açores que sempre foram o ponto de partida para o desenvolvimento dos seus produtos.
O primeiro fármaco, a ser desenvolvido em Hong-Kong, deverá ser testado em humanos dentro de um ano e meio. “Trata-se de um ativo desenvolvido pela Universidade dos Açores com propriedades anti-inflamatórias que poderá ser usado por pessoas com psoríase, doenças neuroinflamatórias, síndrome de intestino irritável ou doença de Crohn”, revela o açoriano.
Inicialmente o produto será lançado em Hong Kong, mas o objetivo é ser comercializado na Europa e nos Estados Unidos.
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