Mensagem do Presidente da ALRAA por ocasião das comemorações dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa | Jornal “O Breves”–“ Breves TV Online”

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Mensagem do Presidente da ALRAA por ocasião das comemorações dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa

Publicado por: obreves
2026/04/01 01:45:54
Mensagem do Presidente da ALRAA por ocasião das comemorações dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa
Mensagem do Presidente da ALRAA por ocasião das comemorações dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa
Mensagem do Presidente da ALRAA por ocasião das comemorações dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa
50 anos da Constituição: Memória e Futuro
Há 50 anos, as características geográficas, económicas, sociais e culturais dos Açores e da
Madeira serviram de fundamento para que a Constituição da República Portuguesa
consagrasse, a 2 de abril de 1976, as Regiões Autónomas com Autonomia Política e
Administrativa e com órgãos de governo próprio: Assembleia Legislativa e Governo
Regional.
Este reconhecimento, na lei suprema do Estado português, deu assim resposta a uma
aspiração antiga dos açorianos. A história mostra-nos que esta não foi uma reivindicação
momentânea. A Autonomia nasceu da necessidade sentida durante décadas por quem vivia
nas ilhas, longe dos centros de decisão, sempre que a distância e o centralismo dificultavam
respostas a problemas diários. Essa experiência, muitas vezes difícil, evidenciava a certeza
de que governar um arquipélago no centro do Atlântico exige um conhecimento próximo da
realidade e capacidade própria de decisão.
Tudo isto ajuda a perceber que a consagração constitucional da Autonomia Política esteve
longe de ser um caminho fácil e só foi possível graças à Democracia e à coragem política de
quem, na Assembleia Constituinte, defendeu com ousadia que a nova arquitetura da
democracia portuguesa só seria plena se fosse capaz de integrar, sem reservas, a
especificidade insular.
Hoje, à distância de 50 anos da Constituição, é de inteira justiça recordar e homenagear os
constituintes eleitos pelos Açores pela sua responsabilidade histórica na consagração
constitucional da Autonomia: Mota Amaral, Jaime Gama, Natalino Viveiros, Germano da
Silva Domingos, José Costa Bettencourt e Rúben Raposo. Mais do que deputados da
Assembleia Constituinte, foram as vozes de uma reivindicação amadurecida por diversas
gerações. Num tempo de incerteza e de debate intenso, contribuíram decisivamente para
que a Autonomia ficasse inscrita na Lei Fundamental da República, garantindo aos Açores
um lugar digno no mapa constitucional do Estado democrático.
O que então foi decidido continua hoje a marcar inevitavelmente a nossa vida coletiva, razão
pela qual esta data é solenemente assinalada na Assembleia da República. E porque este é
um dia maior da história dos Açores, será comemorado também nos Açores, em Ponta
Delgada, no próximo dia 10 de abril, evocando um dos momentos fundacionais da nossa
Autonomia. A presença de Mota Amaral, Jaime Gama e Natalino Viveiros será uma
oportunidade rara para ouvir, na primeira pessoa, quem deu forma a essa conquista nobre da nossa história e para expressar, a estes e aos que infelizmente já não se encontram
entre nós, o reconhecimento pelo caminho que ajudaram a abrir.
Cinquenta anos depois, mais do que discutir a consagração da Autonomia importa refletir
sobre a sua qualidade e questionar a sua densidade futura. Tenho defendido a necessidade
de uma revisão constitucional que aprofunde a autonomia, entre outros aspetos, que
proceda à reconfiguração do sistema político, com a extinção do cargo de Representante da
República, clarifique questões relacionadas com o mar, desde logo, densifique o conceito de
gestão partilhada e fortaleça os laços institucionais com a Diáspora açoriana.
Ao longo dos anos, a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores tem vindo a
refletir sobre estas matérias e existe hoje um conjunto de propostas amplamente debatidas
e consensualizadas nas várias comissões criadas para o efeito. Estes contributos estudados
e amadurecidos justificam uma reflexão constitucional séria e responsável.
Independentemente do momento em que venha a ocorrer uma revisão constitucional,
importa que a Região saiba o que quer, esteja preparada e tenha uma posição firme sobre o
seu futuro. Temos de ter o trabalho de casa feito!
Bem sei que a necessidade e o tempo para uma revisão constitucional são temas
controversos na sociedade portuguesa. Não se trata de abrir conflitos institucionais, mas sim
de defender em que domínios a Autonomia pode e deve evoluir. Para isso é sempre tempo,
porque a história prova-nos que para alcançarmos as nossas reivindicações é necessário
muita luta e pedagogia.
O debate sobre o futuro da Autonomia é, na verdade, a continuação do caminho
constitucional iniciado em 1976. A Autonomia não pertence às instituições - pertence aos
açorianos. E é por isso que estas comemorações fazem sentido: porque nos lembram que o
futuro da Autonomia depende de cada um de nós. Foi assim há cinquenta anos e tem de
continuar a ser assim hoje.
O Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores,
POR ,
Luís Carlos Correia Garcia
02 de abril de 2026 / O Breves Jornal / breves tv
 
 

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